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Abstracionismo
Corrente estética surgida em princípios do séc. XX, caracterizada pelo abandono total da representação figurativa das imagens ou aparências da realidade, pelo uso de formas e cores com ritmo e expressão próprios e liberadas de qualquer conteúdo que perturbe a manifestação da sensibilidade do artista, e pela abertura para amplas interpretações subjetivas.
Dicionário Aurélio - Século XXI.
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Em sentido amplo, abstracionismo refere-se às formas de arte não regidas pela figuração e pela imitação do mundo. Em acepção específica, o termo liga-se às vanguardas européias das décadas de 1910 e 1920, que recusam a representação ilusionista da natureza. A decomposição da figura, a simplificação da forma, os novos usos da cor, o descarte da perspectiva e das técnicas de modelagem e a rejeição dos jogos convencionais de sombra e luz, aparecem como traços recorrentes das diferentes orientações abrigadas sob esse rótulo. Inúmeros movimentos e artistas aderem à abstração, que se torna, a partir da década de 1930, um dos eixos centrais da produção artística no século XX.
É possível notar duas vertentes a organizar a ampla gama de direções assumidas pela arte abstrata. A primeira, inclinada ao percurso da emoção, ao ritmo da cor e à expressão de impulsos individuais, encontra suas matrizes no expressionismo e no fauvismo. A segunda, mais afinada com os fundamentos racionalistas das composições cubistas, o rigor matemático e a depuração da forma, aparece descrita como abstração geométrica. As vanguardas russas exemplificam as duas vertentes: Wassili Kandinsky (1866 - 1944), representante da primeira, é considerado pioneiro na realização de pinturas não-figurativas com Primeira Aquarela Abstrata (1910) e a série Improvisações (1909/1914). Seu movimento em direção à abstração inspira-se na música e na defesa de uma orientação espiritual da arte, apoiada na teosofia. Em torno de Kandinsky e Franz Mac (1880 - 1916) organiza-se, na Alemanha, o Der Blaue Reiter [O Cavaleiro Azul], 1911, grupo do qual participam August Macke (1887 - 1914) e Paul Klee (1879 - 1940), e se aproximam as pesquisas abstratas de Robert Delaunay (1885 - 1941) e o simbolismo místico do checo radicado em Paris Frantisek Kupka (1871 - 1957).
Kasimir Malevich (1878 - 1935) é um dos maiores expoentes da arte abstrata geométrica. No bojo do suprematismo, 1915, defende uma arte comprometida com a pesquisa metódica da estrutura da imagem. A geometria suprematista se apresenta nos célebres Quadrado Preto Suprematista (1914/1915) e Quadrado Branco sobre Fundo Branco (1918). A obra de Malevitch tem impacto sobre o construtivismo de Alexander Rodchenko (1891 - 1956) - ver Negro sobre Negro (1918) - e o realismo dos irmãos A. Pevsner (1886 - 1962) e N. Gabo (1890 - 1977). O neoplasticismo de Piet Mondrian e Theo van Doesburg indica outra tendência da abstração geométrica. O movimento se organiza em torno da revista De Stijl [O Estilo], 1917, e tem o propósito de encontrar nova forma de expressão plástica, liberta de sugestões representativas. As composições se articulam com base em elementos mínimos: a linha reta, o retângulo e as cores primárias - azul, vermelha e amarela -, além da preta, branca e cinza. As idéias estéticas defendidas em De Stijl reverberam nos grupos Cercle et Carré (1930) e Abstraction-Création (1931), na França, e no Circle (1937), na Inglaterra.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Europa e os Estados Unidos assistem a desdobramentos da pesquisa abstrata. O tachismo europeu, também associado à abstração lírica, apresenta-se como tentativa de superação da forma pela ultrapassagem dos conteúdos realistas e dos formalismos geométricos. Os trabalhos de Hans Hartung (1904) e Pierre Soulages (1919) apóiam-se sobretudo no gesto, enquanto nas obras de Jean Fautrier (1898 - 1964) e Jean Dubuffet (1901 - 1985) - e nos trabalhos de Alberto Burri (1915) e Antoni Tàpies (1923) - a pesquisa incide preferencialmente sobre a matéria. Nos Estados Unidos, a abstração ganha força com o expressionismo abstrato de Jackson Pollock (1912 - 1956) e Willem de Kooning (1904 - 1997) - que descarta tanto a noção de composição, cara à abstração geométrica, quanto a abstração lírica -, as grandes extensões de cor não modulada de Barnett Newman (1905 - 1970) e Mark Rotkho (1903 - 1970) e a pintura com cores planas e contornos marcados de Ellsworth Kelly (1923) e Kenneth Noland (1924). O minimalismo de Donald Judd (1928), Ronald Bladen (1918 - 1988) e Tony Smith (1912 - 1980) - tributário de uma vertente da arte abstrata norte-americana que remonta a Ad Reinhardt (1913 - 1967), Jasper Johns (1930) e Frank Stella (1936) - retoma as pesquisas geométricas na contramão da exuberância romântica do expressionismo abstrato.
No Brasil, as obras de Manabu Mabe (1924 - 1997) e Tomie Ohtake (1913) aproximam-se do abstracionismo lírico, que tem adesão de Cicero Dias (1907 - 2003) e Antonio Bandeira (1922 - 1967). Nos anos 80, observa-se uma apropriação tardia da obra de Kooning na produção de Jorge Guinle (1947 - 1987). O pós-minimalismo, por sua vez, ressoa em obras de Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945) e Ana Maria Tavares (1958). Em termos de abstração geométrica, são mencionados os artistas reunidos no movimento concreto de São Paulo (Grupo Ruptura) e do Rio de Janeiro (Grupo Frente) e no neoconcretismo.
Neoplasticismo
O termo liga-se diretamente às novas formulações plásticas de Piet Mondrian (1872-1944) e Theo van Doesburg (1883-1931) e sua origem remete à revista De Stijl (O Estilo) criada pelos dois artistas holandeses em 1917, em cujo primeiro número Mondrian publica A nova plástica na pintura. O movimento se organiza, segundo Van Doesburg, em torno da necessidade de "clareza, certeza e ordem" e tem como propósito central encontrar uma nova forma de expressão plástica, liberta de sugestões representativas e composta a partir de elementos mínimos: a linha reta, o retângulo e as cores primárias - azul, vermelho e amarelo -, além do preto, branco e cinza. A consideração das especificidades do neoplasticismo holandês não deve apagar os seus vínculos com outros movimentos construtivistas na arte, que têm lugar na Europa no primeiro decênio do século XX, por exemplo, o grupo de artistas reunidos em torno de Wassily Kandinsky (1866-1944), na Alemanha (o Blauer Reiter), 1911; o construtivismo russo de Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885-1953), 1913, e o suprematismo fundado em 1915 por Kazimir Malevich (1878-1935), também na Rússia. De qualquer modo, o novo estilo de abstração geométrica se refere a uma tradição holandesa particular e à trajetória artística de Mondrian. Após um período de formação marcado pelas obras de George Hendrik Breitner (1857-1923) e Toorop, Mondrian adere às formulações cubistas de Georges Braque (1882-1963) e Pablo Picasso (1881-1973), em 1912, durante temporada em Paris. Nas obras dos anos 1913 e 1914 já se observa em seus trabalhos uma depuração das formas e a redução dos detalhes ao essencial, seja nas fachadas e torres projetadas, ou nas marinhas geométricas. O contato com Bart Antony van der Leck (1876-1958) e com a teosofia leva o artista ao uso mais sistemático dos planos retangulares e das cores puras, assim como à defesa de um ideal de harmonia universal a ser alcançado pela arte. Um artigo escrito em 1915 por Van Doesburg sobre a pintura de Mondrian marca o início de uma estreita colaboração, selada quando da edição da revista De Stijl, à qual aderem o pintor e escultor belga Georges Vantongerloo (1886-1965), arquitetos e projetistas como Jacobus Johannes Pieter Oud (1890-1963) e, Gerrit Thomas Rietveld (1888-1964), além do poeta A. Kok. Até 1924, Mondrian é o principal colaborador do órgão, no interior do qual sistematiza os ideais estéticos da plasticidade pura. Apoiada no princípio básico da redução da expressão plástica à traços essenciais, a nova plasticidade rejeita a idéia de arte como representação, abolindo o espaço pictórico tridimensional. Rejeita ainda a linha curva, a modelagem e as texturas. A cor pura se projeta no plano, encontrando seu oposto na não-cor, no cinza, no branco e no preto. As oposições se desdobram no quadro: linha negra/plano branco, linha espessa/linha fina, planos abertos/planos fechados, planos retangulares/quadrado da tela, cor/não-cor. As composições se estruturam num jogo de relações assimétricas entre linhas horizontais e verticais dispostas sobre um plano único. A forma obtida a partir daí, indica Schapiro em ensaio clássico sobre o artista, é totalidade sempre incompleta, que sugere sua continuidade além dos limites da tela. O neoplasticismo de Mondrian dispensa os detalhes e a variedade da natureza, buscando o princípio universal sob a aparência do mundo. Menos que expressar as coisas naturais, sua arte visa, segundo ele, a "expressão pura da relação".
As idéias estéticas defendidas em De Stijl ressoam na cena européia mais ampla por meio do ensaio escrito por Mondrian para o público francês, O neoplasticismo (1920), e editado em alemão pela Bauhaus, em 1925. A exposição do grupo em Paris, em 1923, é mais um fator a contribuir para a notoriedade da nova perspectiva artística, que reverbera nos anos 30 nos grupos Abstraction-Création e Cercle et Carré, na França, e no Circle, na Inglaterra. Não se pode esquecer a repercussão das teorias do neoplasticismo na arquitetura moderna. O rompimento de Mondrian com Van Doesburg data de 1924, quando assina sua última colaboração para a revista. Este último, em 1926, seria responsável por uma dissidência, que batiza como elementarismo. De Stijl deixa de existir oficialmente em 1928.
No Brasil, as lições de Mondrian foram incorporadas pelas composições construtivas e econômicas de Milton Dacosta (1915-1988). Ainda que responsável por uma obra amparada em outras referências, Lygia Pape (1927-2004) faz homenagens a Mondrian no Livro da Arquitetura e no desenho Mondrian, 1997.
www.itaucultural.org.br
Teosofia - Sociedade Teosófica
Para que se possa compreender satisfatoriamente a Sociedade Teosófica e o seu trabalho é necessário entender o significado da palavra Teosofia. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a Sociedade Teosófica não é uma religião, e a Teosofia não é um credo. Este fato já está evidenciado no primeiro objetivo da Sociedade Teosófica.
A origem da palavra Theosophia é grega e significa primária e literalmente Sabedoria Divina. Foi cunhada em Alexandria, no Egito, no século III d.C. por Amônio Saccas e seu discípulo Plotino que eram filósofos neo-platônicos. Fundaram a Escola Teosófica Eclética e também eram chamados de Philaletheus (Amantes da Verdade) e Analogistas, porque não buscavam a Sabedoria apenas nos livros, mas através de analogias e correspondências da alma humana com o mundo externo e os fenômenos da Natureza. Assim, em conformidade com seu terceiro objetivo, a Sociedade.Teosófica, enquanto sucessora moderna daquela Escola antiga, almeja tal busca da Sabedoria não pela mera crença, mas pela investigação direta da Verdade manifesta na Natureza e no homem. Dizia Blavatsky: “o verdadeiro Ocultismo ou Teosofia é a ‘Grande Renúncia ao eu’, incondicional e absolutamente, tanto em pensamento como em ação – é Altruísmo”. “Teosofia é sinônimo de Verdade Eterna”, Divina, Absoluta, Paramarthika Satya ou Brahma-Vidya, que são seus equivalentes muito mais antigos na filosofia oriental. Teosofia, portanto, é uma Sabedoria Viva, o ideal que o verdadeiro teósofo busca alcançar e manifestar em sua vida diária como serviço à Humanidade.
A adjetivação teosófica na denominação da Sociedade Teosófica significa, desta forma, uma sociedade cujos objetivos refletem esta Sabedoria, ou que nesta têm sua inspiração. Isto não que dizer que todos os membros da Sociedade Teosófica possuam esta Sabedoria ao tentar realizar tais objetivos. Quer dizer, apenas, que uma sociedade “teosófica” é uma sociedade cujos objetivos podem trazer benefícios imensos ao mundo, desde que compreendidos e realizados apropriadamente.
A palavra teosofia adquiriu também uma significação secundária de verdade relativa, conhecida na filosofia oriental como Vyavaharika Satya. É a pálida imagem daquela Sabedoria Divina e Eterna refletida na limitada esfera do pensamento humano e sua história, que seria preferível denominar de Filosofia Esotérica, Filosofia Oculta ou Pensamento Teosófico, para melhor distinguí-la de sua significação primária, pois como dizia Krishnamurti: “A palavra, o símbolo, não é a coisa”. Constitui-se naquele “corpo de verdades que forma a base de todas as religiões e que não pode ser reivindicado como exclusiva por nenhuma”. Tal é o objeto daquele estudo comparativo que busca encontrar as verdades relativas naquelas três esferas do pensamento humano: religioso, filosófico e científico, conforme consta no segundo objetivo da SociedadeTeosófica. Encontra-se nos escritos das origens da SociedadeTeosófica: “As doutrinas fundamentais de todas as religiões se comprovarão idênticas em seu significado esotérico, uma vez que sejam desagrilhoadas e libertadas do peso morto das interpretações dogmáticas, dos nomes pessoais, das concepções antropomórficas e dos sacerdotes assalariados”.
www.sociedadeteosofica.org.br
A Rota Abstrata para o Espírito
Vista como resposta ao crescente materialismo da ciência no fim do século 19 e início do 20, a Teosofia deixou marcas importantes em vários campos do saber humano. Entre eles está a arte abstrata, cujos pioneiros, como Kandinsky e Mondrian, tiveram contato intenso com as idéias de Helena Petrovna Blavatsky (HPB).
Por Júlio César Borges
Nascida em 1875, com a fundação da Sociedade Teosófica em Nova York, a Teosofia foi uma prodigiosa fonte difusora de teorias ocultistas do final do século 19 e início do século passado. Mesmo apresentando um arcabouço de idéias por vezes confuso, a russa HPB e seus seguidores e sucessores, como Annie Besant e Charles Leadbeater, representaram inesperadamente uma forte reação ao crescente materialismo da ciência, sacudida na época pelo Darwinismo e sua “ameaçadora” perspectiva de que a humanidade descendia de macacos.
Flertando com as religiões orientais e endossando a natureza espiritual do homem, a Teosofia atraiu a atenção de muita gente importante da época, proveniente dos mais variados meios profissionais. Entre eles, havia militares, advogados, jornalistas, educadores e até mesmo cientistas. Mas, provavelmente, a influência mais perene da nova trilha de conhecimento se deu na Arte.
Nascido em 1872, o holandês Piet Mondrian foi o pioneiro da arte abstrata mais envolvido com a Teosofia. Ele começou a estudar as obras de Blavatsky no início da década de 1900, e em 1909 entrou para a Sociedade Teosófica. Mondrian também comprou um livro de Rudolf Steiner (teosofista que viria a fundar a Antroposofia em 1913), e guardou-o até a morte, repleto de anotações.
A influência teosófica já era visível em telas de 1908, como Devoção, na qual uma jovem medita sobre uma flor, ou O Bosque Perto de Oele, em que a noção teosófica de dualidade é manifestada pela contraposição entre símbolos masculinos (árvores) e femininos (planos horizontais). Na ainda figurativa O Crisântemo Agonizante, Mondrian tentava mostrar a aura desprendendo-se da planta no momento de sua morte.
O artista já recorria a formas geométricas quando se mudou para Paris em 1910, desejoso de encontrar uma forma visual para expressar os conceitos transcendentes com que entrara em contato por meio da Teosofia. São dessa época as telas mais impregnadas do simbolismo teosófico, como o belo tríptico Evolução (1910-11), que representa a evolução humana a partir do corpo terreno (esquerda), passando pelo corpo astral (direita) até chegar à visão divina (centro). Flores, triângulos e círculos têm significados ocultos, e a estrela composta por triângulos unidos, visível no painel da direita, é um símbolo presente no centro do emblema da Sociedade Teosófica.
Em 1914, Mondrian voltou para Amsterdã, onde três anos mais tarde criaria, com seu compatriota, o pintor Theo van Doesburg, a revista De Stijl, publicação que serviria para a veiculação de sua teoria sobre as novas formas artísticas por ele denominadas Neoplasticismo. Nas telas dessa fase notava-se uma passagem cada vez mais intensa para as formas geométricas, mas o conhecedor da Teosofia poderia reconhecer imagens referentes a ela em Planos de Cor em Oval, nos quais linhas verticais, masculinas, harmonizam-se com outras horizontais, femininas, dentro de um ovo – símbolo não só na teosofia, mas também em outras religiões, da criação e da unidade. De acordo com Mondrian, os seres humanos podem ambicionar uma unidade que equilibre forças opostas como masculino e feminino, imobilidade e dinamismo, espírito e matéria.
Composição em Diamante com Linhas Cinzentas (1918) traz um Mondrian bem abstrato, num trabalho em que o cruzamento de linhas cria triângulos e cruzes. Para os teosofistas, os triângulos – que ocupam lugar de destaque no selo da Sociedade Teosófica – simbolizam não apenas os princípios da unidade desdobrada no espírito e na matéria, mas também as trindades encontradas nas principais religiões da Terra e várias outras concepções ternárias. Os triângulos são eqüiláteros porque, em todas as tríades representadas, ninguém é maior ou menor do que o outro.
Inquieto, Mondrian mudou-se ainda outras três vezes para Paris, Londres e finalmente Nova York, onde morreu em 1944. Os especialistas consideram que as obras de Mondrian nos Estados Unidos já apresentavam um relaxamento em relação aos seus princípios pictóricos anteriores, em troca da valorização de pequenas formas quadrangulares. Sua última obra completa e uma das mais famosas, Broadway Boogie Woogie (1940), busca flagrar os ritmos da frenética Manhattan recorrendo mais uma vez a traços verticais e horizontais, expressos nas cores primárias (amarelo, vermelho e azul) e no preto. Essa expressão cabal do Neoplasticismo, porém, já parecia aos teosofistas muito distante das suas conceituações.Excertos - www.terra.com.br
Acessado em: 06/07/2006
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De Stijl
Movimento estético que teve profunda influência sobre o design e artes plásticas.
A revista De Stijl foi uma publicação iniciada em 1917 por Theo van Doesburg e alguns colegas que viriam a compor o movimento artístico conhecido por Neoplasticismo.
Em virtude da influência dos textos da revista, que muitas vezes assumiam um aspecto de manifesto, o próprio movimento neoplástico (e mais tarde, o Elementarismo) é confundido com o nome da revista. Também costuma-se chamar o seu grupo criador pelo título da publicação.
Entre seus colaboradores estavam, além de Doesburg, o pintor Piet Mondrian, o designer de produto Gerrit Rietvield, entre outros.
Um dos mais idealistas movimentos artísticos do século XX, o De Stijl (ou Neoplasticismo, nome dado por Piet Mondrian à sua filosofia artística) foi um dos grandes marcos da arte moderna, o “mais puro dos movimentos abstratos”. O movimento, de origem e essência neerlandesa, permaneceu ativo e coeso por menos de quinze anos, mas sua influência pode ser sentida até hoje, particularmente nos campos da pintura e arquitetura.
Arrancando a pintura do campo da representação e abraçando o abstracionismo total, objetivando a síntese das formas de arte, o De Stijl caracterizou-se pelo fervor quase religioso de seus partidários, que acreditavam existir leis que regem a expressão artística e que viam em sua arte um modelo para relações harmoniosas julgadas possíveis para indivíduos e sociedade.
O De Stijl ("O estilo", em neerlandês) começou oficialmente nos Países Baixos em 1917, quando Mondrian, Van Doesburg e o arquiteto Bart van der Leck lançaram a revista que deu nome ao movimento. Tendo Van Doesburg como editor, a revista, de tiragens pequenas mas importantes, foi o eixo de coesão dos artistas, apresentando idéias e teorias sobre a nova concepção artística apresentada.
O auge do movimento foi entre 1921 e 1925, quando Theo Van Doesburg, propagandista brilhante com devoção ardente ao movimento, convidou artistas de toda parte para participar do De Stijl, e, paralelamente, fez diversas conferências pela Europa para divulgar sua “cruzada”. Suas palestras e performances serviram para intensificar a tendência idealista entre os mestres da famosa escola alemã de desenho industrial, a Bauhaus, onde Van Doesburg chegou a lecionar, internacionalizando, de fato, o movimento.
Em 1925, no entanto, o De Stijl já mostrava sinais de desgaste, não tendo se renovado e com muitos artistas procurando novos caminhos. Neste ano, Piet Mondrian renunciou publicamente ao movimento, ao entrar em conflito com Van Doesburg acerca do rumo teórico a ser seguido – Mondrian condenava o uso de linhas diagonais que Van Doesburg passou a fazer, já que o ângulo reto era um dos pilares fundamentais de sua teoria neoplástica.
Após sua saída do De Stijl, Mondrian participou (e influenciou) o grupo francês Abstract-Création, fundado em Paris, 1931, por Naum Gabo (1890-1977) e Antoine Pevsner (1884-1962). Nos anos subseqüentes, Mondrian mudou-se para Nova Iorque, onde influenciou muitos artistas americanos e, sob a influência do jazz, pintou quadros famosos como Broadway Boogie-Woogie.
Em 1928, a revista De Stijl finalmente parou de circular, após alguns anos de publicação intermitente, fazendo com que muitos estudiosos apontassem-no como o ano final do Neoplasticismo. Todavia, devido à militância persistente de Theo Van Doesburg, alguns especialistas afirmam que a dissolução só ocorreu em 1931, ano da morte do pintor.
Ao injetar sólido embasamento teórico em suas obras – pinturas, construções, esculturas, entre outros – os Neoplasticistas radicalizaram e renovaram a arte moderna. Os ecos do modo neoplástico de encarar a arte são sentidos até os dias de hoje em inúmeras áreas.
No campo da pintura, Mondrian permanece na panteão dos grandes pintores do século XX, influenciando múltiplas gerações e correntes abstratas contemporâneas. Ao romper com a arte figurativa e renegá-la, promovendo o salto subseqüente de uma concepção estética cujas origens podem ser traçadas na pintura cubista, o holandês amplificou a vitalidade da pintura abstrata e ajudou-a a ser vista com seriedade e admiração. Como afirma H.B Chipp, “suas idéias profundas e sua presença quase santa tiveram grande influência no crescimento de outros movimentos abstratos”.
Suas composições únicas, imediatamente reconhecíveis, entraram, em certa medida, no imaginário popular e foram apropriadas pela indústria cultural (um fenômeno interessante é a profusão de livros, não necessariamente relacionados à arte, cujas capas imitam as famosas composições de Mondrian). Dessa forma, com tal apelo visual extremamente peculiar, podemos compreender porque Piet Mondrian tornou-se um ícone muito maior do que seus companheiros no De Stijl – ícone esse tão grande e impactante que superou até mesmo a fama do próprio movimento.
Na arquitetura e desenho industrial, a influência do De Stijl talvez tenha ido mais longe ainda. Com o intercâmbio entre o movimento e a Bauhaus, o ideal neoplástico tornou-se imensamente popular, com produção e consumo em escala industrial de infindáveis peças diretamente inspiradas pelas propostas do grupo holandês, que adquiriram um caráter ‘moderno’, voltado para o futuro. Até hoje, obras como a Poltrona de Rietveld são imediatamente associadas a uma atitude voltada para o futuro, sendo comum ver até mesmo em filmes de ficção científica cenários recheados de elementos neoplásticos como forma de realçar o aspecto ‘futurista’ do ambiente.
O legado do De Stijl se faz presente até em áreas insuspeitas e improváveis como a música pop – em 2000, o duo americano de blues-rock White Stripes lançou um álbum denominado De Stijl, cuja capa é composta por uma foto dos integrantes em um ambiente diretamente inspirado pelo movimento holandês – blocos lisos vermelhos e brancos e hastes pretas.
www.wikipedia.org
BiografiaPieter Cornelis Mondriaan, mais conhecido como Piet Mondrian, nasceu em Amersfoort, no dia 7 de março de 1872. Faleceu em Nova Iorque no dia 1º de fevereiro de 1944.
De família aristocrática holandesa, iniciou seus estudos de Artes em 1892, como aluno da Rijksademie van Beeldende Kunsten, de Amsterdam. Influenciado por sentimentos religiosos – era de família calvinista e seu pai era pastor – Mondrian teria sua obra permeada pela Teosofia de Helena Petrovna Blavatsky.
Após uma exposição que incluía trabalhos de Picasso e Braque no museu Stedelijk, em Amsterdam, 1910, sua obra passou a apresentar influência cubista. Em 1912 foi morar em Paris. Sua pintura ganhava novos procedimentos com relação a cores e formas. Nas palavras de Israel Pedrosa: “(...) a abstração de Mondrian, iniciada em 1911, tenderia progressivamente para a precisão geométrica, dando origem ao Neoplasticismo, difundido pela revista “De Stijl” a partir de 1917. A simplicidade rítmica das formas de Mondrian, que se baseava em verticais e horizontais formando retângulos sempre próximos da divisão áurea, corresponde à mestria do emprego das três cores primárias, juntamente com o branco, o cinza e o preto. Os exemplares mais representativos desta fase são os da série Broadway-Boogie-Woogie (1942-1943), em que transparece a adoção das proposições de Malevitch e do ex-professor da Bauhaus, Josef Albers (1888).”
Significa, para Mondrian, que a Natureza, como se apresenta, não lhe serve de matéria-prima para a realização de suas obras. Também a diagonal rechaça o equilíbrio da horizontalidade-verticalidade, não devendo ser adotada.
Em 1940, o artista se encontra em Nova Iorque. O Jazz o embevece. O movimento novaiorquino agita seus pincéis.
AGRA, Lúcio. História da Arte do Século XX:
idéias e movimentos. São Paulo:
Editora Anhembi Morumbi, 2004CHIPP, H.B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo:
Martins Fontes, 1998.GOODING, Mel. Arte Abstrata. São Paulo:
Cosac & Naify, 2004.PEDROSA, Israel. Da Cor à Cor Inexistente. Rio de Janeiro:
Christiano Editorial Ltda./EDUFF, 2002.SCHAPIRO, Meyer. Mondrian – a dimensão humana da pintura abstrata. São Paulo:
Cosac & Naify, 2001.STRICKLAND, Carol e BOSWELL, John. Arte Comentada - Da Pré-História
ao Pré-Moderno. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.